- Bukowski?
- É. Acabei de comprar ali na livraria pra passar o tempo.
- É. Acabei de comprar ali na livraria pra passar o tempo.
- É um privilégio ocupar o tempo com Bukowski...
- Ele chuta o balde!
- Você está aqui há um bom tempo também, não é?
- É.
- E o que acha?
- Do quê?
- Dessa situação de hoje.
- Eu que pergunto: o que você acha dessa situação de hoje?
- Eu sei que é jornalista. Mas quem está fazendo a pergunta sou eu! Você já entrevistou muita gente por aqui hoje. Eu vi.
- Talvez seja a data. As pessoas ficam mais compreensivas nesse período...
- Duas. O meu voo estava previsto para às nove da noite. Agora, só quando São Pedro quiser vou chegar no meu destino.
- Conversei com alguns passageiros na mesma situação que a sua.
- E você? Vai ficar até que horas no aeroporto, moça?
- Não sei. Provavelmente passarei a meia-noite aqui... Vou ter que acompanhar essa situação. Sabe-se lá que horas voltarei para o jornal.
- Estou cansado, mas tranquilo. Se o tempo não está bom, não há como voar. Só me resta aguardar.
- Deveria estar?
- Não. Você deveria estar como deseja estar. Se o seu desejo é não estar histérico, que seja feita a sua vontade.
- Não gosto muito dessa data... Se dissesse para você que estou à beira de um ataque de nervos, estaria mentindo.
- E eu estaria mentindo se dissesse que as pessoas estão histéricas hoje porque o aeroporto fechou e por causa da chuva. Não, elas não estão histéricas!
- Pois é...
- Estão chateadas, sim. Mas não histéricas! Não há tumulto! Fato.
- Acho que é o meu caso...
- As pessoas não têm com quem brigar... Como vão contra a natureza?
- O meu livro tem duzentas páginas. Posso esperar sossegado lendo Bukowski. Também não quero me estressar hoje.
- As respostas nem sempre são óbvias...
- Será que reabriu? Parece que ouvi anunciarem algo...
- Acho que sim.
- Vou tentar ver isso e resolver minha vida...
- Eu também vou apurar isso e desenrolar minha matéria.
- Feliz Natal. Foi um prazer.
- Feliz Natal pra você também.
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